Na última terça (23) foi realizada a reunião do Conselho Técnico para a organização do Campeonato Mineiro de 2019. E dentro dela ficou bem explícito, ao menos para mim, como o costume e o interesse dos cartolas faz com que o torneio seja algo ainda mais complicado para que os times menores possam prosperar.

Na reunião ficou definido que o regulamento é o mesmo deste ano, por determinação do Estatuto do Torcedor que faz com que as normas das competições sejam mantidas por, pelo menos, 2 anos. São 12 times jogando entre si em turno único, com 8 times se classificando para a fase quartas de final (disputadas em jogo único) e com os 2 últimos sendo rebaixados.

Inegavelmente o campeonato estadual hoje, da forma que é feito, trás complicações para os times grandes que jogam a Série A ou, eventualmente, a Série B do Campeonato Brasileiro. Do jeito que ele é composto, cria-se um aumento no calendário brasileiro que poderia ser resolvido certamente, equacionando as datas para que os grandes entrassem já nas fases decisivas da disputa, enquanto as partidas iniciais podem ser feitas de forma regionalizada entre os pequenos, fazendo os torneios serem inclusive classificatórios para divisões menores do Campeonato Brasileiro.

Porém, da forma que ele é feito hoje em dia, o estadual é feito de forma errada em muitos pontos, tanto aos times da capital, quanto aos times do times do interior. E algumas decisões do Conselho Técnico mineiro, feitas tanto pelos dirigentes da federação, como da maioria dos clubes, deixaram isso claro.

As quartas de final permanecem sendo jogadas em jogo único, como estava inclusive já previsto na manutenção do regulamento do ano anterior. Só que, além disso, as partidas deverão ser disputadas em estádios com capacidade mínima de 10 mil pessoas.

Ou seja, além de termos uma fase a mais no campeonato, com uma data que se torna extra para o já atribulado calendário dos grandes, na hora dos times menores terem a oportunidade de jogar em casa numa fase decisiva, almejando quem sabe ir mais longe na competição, eles são privados disso pelo próprio regulamento. Sim, muitos dos clubes pequenos são até favoráveis a “vender o mando” para poder lucrar com um jogo de possível renda e público maiores, mas mesmo assim, a razão local do campeonato fica praticamente desvalorizada.

Arbitragem contará com auxílio do VAR

Outra definição do Conselho Técnico foi a definição, por unanimidade, da utilização do VAR, o popular árbitro de vídeo. A FMF pretende custear os valores para utilização nas semifinais e finais, porém, desde que os jogos sejam disputados em estádios homologados e que possuam estrutura suficiente para receber os equipamentos.

Presente na decisão desta quarta, VAR é testado em treino do Cruzeiro Sub-20. (Foto: Gustavo Aleixo / Divulgação / Cruzeiro E. C.)

Presente na decisão desta quarta, VAR é testado em treino do Cruzeiro Sub-20. (Foto: Gustavo Aleixo / Divulgação / Cruzeiro E. C.)

Ou seja, o caminho para que a utilização da tecnologia seja feita apenas em estádios da capital mineira está aberto já no regulamento do torneio, pois a alegação de “estádios com estrutura” leva a gente a pensar que priorizarão os campos de Belo Horizonte; como necessariamente um time de menor investimento estará na semifinal do campeonato, ele, possivelmente, a não ser que uma surpresa ocorra, terá de se sujeitar a jogar fora de casa, mesmo que não queira.

Em resumo, temos um torneio que deve existir, mas que atualmente não cumpre sua função para nenhum dos lados. Não sou favorável à extinção completa dos estaduais, eles são importantes para a difusão do futebol no país. Mas ele nem faz os grandes felizes e nem os menores se sentem totalmente representados e com chances reais de obterem avanços. E olha que estamos falando do Campeonato Mineiro, que até tem uma fórmula relativamente simples e curta para a sua disputa.

A organização das datas do nosso futebol deveria ser tema nacional e começar com dentro de cada estado. Assim, a “nova” promessa da CBF, que fala em ajeitar o calendário brasileiro para 2020, pode ser realmente levada a sério.