É o calendário!

Na última terça (9/4) Rogério Caboclo tomou posse como novo presidente da CBF. Antes de ser o novo mandatário do futebol nacional, ele era conhecido apenas por ser conselheiro do São Paulo e ter sido levado para a Confederação Brasileira de Futebol pelas mãos de Marco Polo Del Nero, cartola banido do futebol pela FIFA (e olha que a FIFA não é bem uma entidade acima de qualquer suspeita…).

Sendo assim, o mandato de Caboclo começa justamente marcado pela suspeição. Tanto no campo político, para sabermos de que forma ele vai lidar com o histórico lamentável de problemas policiais recentes vinculados aos últimos presidentes da CBF, quanto na parte esportiva. E é sobre um aspecto dela que gostaria de falar mais neste texto.

Caboclo anunciou de forma bem enfática que os estaduais, a partir de 2020, terão 16 datas para sua realização, ao invés das 18 atuais. A medida, em primeira análise, serve para diminuir os conflitos de jogos realizados no Brasil com as datas FIFA, dos amistosos internacionais. Em tese, é uma boa e esperada medida, mas feita muito mais para manter o status quo das federações estaduais, do que pensando exclusivamente no bem do esporte.

Sim, eu já escrevi AQUI (e continuo pensando assim): Os estaduais não são o “cocô do cavalo do bandido” do nosso futebol. Podem ser extensos em demasia, podem ser mantenedores do poder dos “donos” de federações…tudo isso é verdade. Mas colocar apenas neles a responsabilidade da nossa defasagem técnica, tática e mesmo de estrutura em oferecer um espetáculo melhor para todos, é um exagero. Portanto não quero de forma alguma que eles sejam encerrados.

Mas uma racionalização em suas datas e no espaço que ocupa em nosso calendário futebolístico seria interessante e mesmo necessária para a nossa organização geral. Fundamentalmente porque essa medida precisa ser completada com a organização da temporada nacional como um todo no país.

A regionalização das fórmulas para o Campeonato Brasileiro, principalmente a partir da Série C, é algo pensado e sugerido a algum tempo, de forma mais evidente ainda a partir da ideia do (finado) Bom Senso F.C., feita a pouco mais de 6 anos. Formatos possíveis para que a maioria dos clubes brasileiros joguem por toda uma temporada existem aos montes, e isso nem é o mais fundamental.

A principal bandeira que o novo presidente da CBF deveria levantar é a da sobreviência das equipes menores. É evidente que cuidar da Seleção e dos principais torneios é algo que gera maior atenção de todos e obviamente têm de ser bem realizado, mas fazer com que o futebol brasileiro sobreviva em todos os estádios dos mais de 700 clubes profissionais é tão importante quanto. A ideia de que os estaduais possam ser até mesmo uma base de uma série “E” do Brasileiro, pode até se desenvolver com o tempo.

Toda a política e todos os erros da nova gestão devem ser expostos pela parte boa da imprensa, assim como as medidas de premiação, novo símbolo, entre outras perfumarias. Mesmo medidas paliativas, como esta da redução de datas nos estaduais, dita no começo deste texto, que acaba sendo apenas protocolar, pois ela forçosamente já teria de acontecer a partir de 2022, com a Copa do Mundo sendo realizada no fim do ano e fazendo, certamente, o Campeonato Brasileiro começar mais cedo.

No entanto a gestão e formação de calendário dos clubes nacionais, desde o mais humilde até os mais endinheirados é urgente, para não vermos casos como o do Guarani, citado no meu último texto. Pensar no calendário nacional é um bom (e necessário) caminho para o nosso futebol.