Normalmente é difícil simpatizar com alguma decisão da FIFA. A busca incessante por lucro e ideias que, na maioria das vezes, buscam apenas vantagens políticas para os seus dirigentes, fazem com que praticamente tudo que venha de lá cause repulsa ultimamente.

A última dessas mirabolantes propostas, capitaneada pelo atual mandatário da entidade Gianni Infantino, diz respeito ao aumento do número de participantes no Mundial de Clubes, dos atuais 7 (os 6 campeões continentais, mais o representante do país sede) para 24 equipes. Além disso ele seria disputado a cada 4 anos, no lugar da Copa das Confederações, que seria extinta, caso a ideia vingue, já a partir de 2021.

Por trás dessa tentativa está a participação do SB Investment Advisers LImited (SBIA), consórcio de empresas com ligação com a Arábia Saudita, e a empresa de investimentos baseada em Londres Centricus Partners LP. A venda de direitos de marketing, direitos de TV e em todos os formatos possíveis e imagináveis estaria na ordem de US$ 26 bilhões por 12 anos de contrato. Além disso, essa marca poderia estar por trás do desejo imediato de Infantino em aumentar o número de seleções já na Copa de 2022, de 32 para 48, como é bem explicado AQUI neste texto do site Trivela.

Nem vou entrar tanto no mérito do lucro desmedido que querem buscar com essas “inovações”. Para mim isso depõe contra o esporte e não leva necessariamente a uma melhoria de nível técnico do torneio, pelo menos no caso da Copa do Mundo e mesmo da Eurocopa quando aumentaram o número de participantes. Mas o que quero observar aqui é como o ser humano é insatisfeito e normalmente sempre procurará um defeito em qualquer transformação.

Na propostas para esse novo Mundial, dos 24 times participantes, nada menos do que 12 viriam do futebol europeu; os 4 últimos campeões da UEFA Champions League, os 4 vices, e os 4 últimos campeões da Liga Europa! A América do Sul teria os 4 últimos campeões da Taça Libertadores e mais uma repescagem (!!!!) entre os últimos campeões da Sul-Americana contra o representante da Oceania! (conseguiram entender?).

Ao ver as pessoas criticando o atual formato do Mundial, que muitas vezes não conta com grandes partidas, mas pelo menos é mais simples e funcional, eu me pergunto: Será que é necessário mudar tanto o que já existe no futebol para criarmos torneios lucrativos, mas que não vão ser automaticamente melhores? Vejo as pessoas dizerem que o torneio de fim de ano, que em 2018 está sendo realizado nos Emirados Árabes é “mixuruca”, que a Copa das Confederações “não vale nada…”. Até mesmo ouvi neste ano que a Copa do Mundo não representa muita coisa!

O Mundial atual poderia ser incrementado? Sim, talvez sendo jogado no meio do ano, com a presença de mais um ou dois times, da Europa e América do Sul, não mais do que isso. Muitos reclamaram do baixo público desta edição; talvez uma variação no lugar de disputa, ao redor do planeta, desse um ânimo nesse sentido.

E creio que a periodicidade anual é importante também. Imaginem um time brasileiro indo jogar um Mundial, 4 anos depois de ter vencido a Libertadores, já totalmente desmontado e mudado em relação ao que era no ano de sua conquista. Além disso, um confronto contra 12 times europeus deixa a tarefa de vencê-los ainda mais complicada do que já é hoje em dia, e normalmente só reafirmaria a superioridade já bastante clara dos times do velho continente.

Sendo assim, por mais anticlímax que possa ser uma final entre Real Madrid e Al Ain, talvez o cenário possa ainda ficar pior (para os sul-americanos) e o Mundial ser um torneio ainda mais aleatório no futuro. Por isso, pense bem na hora de reclamar dos torneios atuais; podem não ser perfeitos, mas sempre existe margem para invencionices.