Depois de algum tempo, volto a fazer um texto com assuntos variados, que não tem muito a ver entre si, mas mostram certo comportamento natural dentro do nosso futebol.

A solidariedade entre as pessoas é algo que existe no mundo, mas muito mais nas palavras do que nas ações. Na categoria dos treinadores de futebol, ainda mais no Brasil, é um artigo ainda mais raro. Mesmo com uma associação com site e tudo mais, a união não é uma constante na área.

Nem estou condenando especificamente o fato do experiente treinador Abel Braga ir até a ESPN participar de um dos 329 programas iguais que o canal apresenta na última segunda (12), até porque ele foi lá para poder participar de outra atração, o Bola da Vez que deve ser exibido brevemente. Porém a imagem dele com o escuro do São Paulo atrás dele foi, no mínimo, de mau gosto.

No dia anterior o técnico Diego Aguirre foi demitido de forma surpreendente do Tricolor, após 8 meses de trabalho e faltando apenas 5 rodadas para o fim do Brasileirão/2018. Ao todo, o uruguaio dirigiu o São Paulo em 43 oportunidades nesta temporada, tendo conquistado 55,81% dos pontos disputados, com 19 vitórias, 15 empates e 9 derrotas.

Em contraste com mais uma queda de técnico no Brasil, presença de Abel nos estúdios da ESPN parecia parte de uma campanha para que ele já fosse o escolhido para treinar o São Paulo. Não que o Abel não pudesse falar nesse momento, nem acho que é tão culpa dele, mas achei bem estranho ele falar com o símbolo do São Paulo atrás, o que mostra um certo direcionamento na entrevista. Nessa hora vi mais uma vez o corporativismo de imprensa nacional e técnicos.

Não acho que Diego Aguirre caiu pelo fato de ser estrangeiro, mas o fim de seu trabalho é mais um prego no caixão do intercâmbio de treinadores de fora por aqui. Muitos dizem que o fato de ser “gringo” é sinônimo de ter complacência aqui no Brasil; acho que pode ser verdade em parte, mas no futebol, com essa cultura insana de troca de treinador, o fato do técnico ser estrangeiro, quando as coisas dão errado, é a senha para ele ser mais cobrado.

Mas evidentemente que, com apenas Cruzeiro, Grêmio e Internacional mantendo os treinadores desde o começo do campeonato, é óbvio que todo o pacote de loucura e insanidade na hora de trocar um técnico é um peso para que os times acabem fazendo mudanças, muitas vezes sem a menor segurança para uma futura continuidade.


Brasileirão 2019 na TV, como fica?

Assim como a falta de perspectiva futura para a continuidade dos treinadores, existe também a falta de certeza para como se resolverá o imbróglio de transmissão para o Brasileirão a partir do ano que vem. Sim, já existe um caminho. 13 (ou 12 times, dependendo do que acontecer na Série B) terão jogos transmitidos no SporTV. São eles (com * aqueles ainda com risco de rebaixamento):

— São Paulo, Corinthians*, Flamengo, Botafogo, Fluminense*, Vasco*, Cruzeiro, Atlético/MG, Grêmio, Sport*, Chapecoense*, América/MG* e Goiás, mais Avaí, CSA ou Atlético Goianiense (esses 3 últimos se subirem para a Série A, no máximo 2 deles).

7 (ou 8) terão os jogos transmitidos nos canais da Turner (TNT ou Space). São eles:

— Palmeiras, Santos, Internacional, Atlético/PR, Bahia*, Ceará*, Fortaleza e Ponte Preta (essa última se subir para a Série A).

Até aí, não tem muito mistério; os jogos entre os “times da Turner” serão exibidos em seus canais e o Sportv pode passar muitas partidas envolvendo as outras equipes. Porém, é na TV aberta (Globo) e principalmente no Premiere, é que existe o problema ainda maior.

Arte: Junio Kemil / Grupo Gabiroba

17 (ou 18) dos que ficarão na Série A assinaram com a Globo os contratos para exibição de TV aberta e PPV. As equipes que vem da Série B também. Menos Palmeiras, Bahia e Atlético/PR. Como a Lei Pelé determina que os direitos de transmissão dos jogos pertencem às duas equipes envolvidas, a situação atual é que 108 dos 380 jogos do Brasileirão/2019 (28%) não poderão ser transmitidos nem pelo PPV nem pela TV aberta. As 3 equipes que citei acima não aceitaram a proposta da Globo para as plataformas da TV aberta e do PPV por discordarem de uma redução de 5% a 20% no valor recebido.

Sendo assim, até o presente momento, não teríamos jogos de Palmeiras, Bahia e Atlético/PR contra as demais equipes sendo exibidos pela TV aberta e pelo pacote de jogos vendido pelo Grupo Globo. Sei bem que é uma questão comercial, mas incomoda ver que isso não está sendo tão discutido quanto deveria pelos clubes e sendo colocado de forma mais clara pela emissora que transmite a maioria das partidas.

Para quem quer adquirir o pacote de jogos do ano que vem, a dúvida, pelo visto, deve permanecer por algum tempo. Pretendo voltar ao tema mais vezes, mas agora fica como um alerta para quem ainda não sabia ou não se lembrava desse imbróglio que deve acontecer ano que vem…