Após o título do Athletico Paranaense, com ‘H’, cuja grafia se tornou oficial na véspera da final da Copa Sul-Americana, iniciou-se na mídia futebolística uma discussão sobre o lugar do clube entre os maiores do Brasil. Os chamados “12 grandes” (os 4 de São Paulo, os 4 do Rio de Janeiro, os 2 de Minas Gerais e os 2 do Rio Grande do Sul), estariam “ameaçados” de ter uma adição em seu grupo, que seria do rubro-negro do Paraná.

É bom lembrar que o 13º time desse grupo fechado era o Bahia, a partir da fundação do auto-denominado Clube dos 13 em 1987, criado para negociar direitos de transmissão e organizar o Campeonato Brasileiro, coisas que, sabemos, acabaram naufragando com o passar do tempo.

Além disso, a formação da Copa União de 1987, o Brasileirão daquele ano, foi feita de forma a excluir clubes com menos torcida, mas que haviam tido bom desempenho em campo no Brasileirão anterior de 86, casos claros de Guarani de Campinas e América do Rio. Ou seja, a organização do torneio nacional já começou com injustiças.

A partir daí, vemos que a definição de “clube grande” é bem relativa. Evidentemente que o número de títulos e o número total de torcedores são critérios importantes. Mas no Brasil existe um fator que diferencia qualquer análise. O futebol por aqui foi construído de forma regional e a partir dos campeonatos estaduais. Com eles existem potências regionais com grande massa de torcedores. Muitas delas, já com conquistas nacionais, como Bahia, Sport e Paysandu. Outras com boas campanhas, inclusive internacionais, como é o caso da Ponte Preta, do Goiás e do CSA. Como você pode dizer que esses clubes não são gigantes, dentro de suas dimensões e objetivos, ainda mais para os seus torcedores?

Evidentemente o número absoluto de conquistas é um critério indiscutível, até porque todos os outros são subjetivos, inclusive o número de torcedores, pois ainda não foi feito um censo completo para termos essa medida. Mas, de toda forma, me incomoda essa necessidade de se ranquear os clubes maiores já que essa definição pode trazer injustiças, dentro de um contexto em que esses clubes mais esquecidos, são grandes sim, a partir de suas possibilidades.

Soma-se a isso o critério de noticiabilidade que é usado hoje em dia, principalmente nas TVs esportivas do Brasil. Claro que os 12 privilegiados do momento são gigantes e tem uma base grande de torcedores. Porém não dá para entender o desprezo pela informação de outros times e de outros estados em nível nacional.

Em um território tão extenso quanto o brasileiro é impossível saber e se informar sobre todos os times. Mas espanta o desconhecimento por parte da grande mídia, e principalmente dos representantes da imprensa na TV, sobre times de outros estados durante os estaduais e mesmo durante o Brasileirão. De modo geral pouco se discute de prático sobre a situação do futebol brasileiro.

Além do desconhecimento prático do dia a dia e a pouca vontade em se falar do que acontece com os times médios e menores do país, a perspectiva de debate em alguns assuntos também chama a atenção. Na época do surgimento do movimento do Bom Senso Futebol Clube, havia uma proposta de calendário que dava maior espaço aos times menores para que eles pudessem atuar por mais tempo durante a temporada. Essa discussão, quando é feita na grande mídia, não é avaliada ou feita sob ótica dos pequenos, o que penso ser uma miopia na análise. Não adianta melhorar apenas uma parte do que temos, se a base não vai bem.

Portanto, os grandes clubes são conhecidos. E ser grande é algo que também deve levar em conta o que cada torcedor pensa e o que está no coração de cada um, independente de listas.  É evidente também que existe uma questão comercial nessa parte de espaço na mídia. Porém, temos que lembrar que não temos apenas 12 clubes. E o Athletico Paranaense já é grande e não precisa estar num clube fechado (que nem é tão imutável assim) para se considerar ainda maior. O seu desempenho e seu crescimento nos últimos anos falam por si só.